1. Das Restrições Rígidas às Penalidades Suaves
Considere um problema padrão: minimize $f_0(x)$ sujeito a $f_i(x) \le 0$ e $h_i(x) = 0$. Uma restrição "rígida" é equivalente a uma função indicadora:
$$I_-(u) = \begin{cases} 0 & u \leq 0 \\ \infty & u > 0 \end{cases}$$
A construção de Lagrange substitui essa salto infinito por uma penalidade linear. Ampliamos a função objetivo com uma soma ponderada das funções de restrição:
$$L(x, \lambda, \nu) = f_0(x) + \sum_{i=1}^m \lambda_i f_i(x) + \sum_{i=1}^p \nu_i h_i(x)$$
Aqui, $\lambda_i$ é o multiplicador de Lagrange. Ele atua como uma penalidade "suave" que escala o impacto da $i$-ésima desigualdade. Importante destacar que ainda não assumimos convexidade; este quadro é universal.
Definimos a função dual de Lagrange $g(\lambda, \nu)$ como o ínfimo da função de Lagrange sobre $x$. Uma propriedade fundamental é a Propriedade de Limite Inferior: para qualquer $\lambda \succeq 0$, $g(\lambda, \nu) \le p^*$. Isso nos permite limitar o valor ótimo de problemas que, de outra forma, seriam impossíveis de resolver diretamente.
2. Estudo de Caso: Controle de Veículo Híbrido
Imagine um veículo equilibrando o consumo de combustível e a vida útil da bateria. As restrições são físicas: a demanda de potência deve ser atendida a todo momento.
- Equilíbrio de Potência: $P_{\text{req}}(t) = p_{\text{eng}}(t) + p_{\text{mg}}(t) - p_{\text{br}}(t)$
- Dinâmica da Bateria: $E(t+1) = E(t) - p_{\text{mg}}(t) - \eta |p_{\text{mg}}(t)|$
- Objetivo: Minimize $F_{\text{total}} = \sum_{t=1}^{T} F(p_{\text{eng}}(t))$
Ao aplicar o quadro de Lagrange, as restrições de capacidade da bateria são convertidas em preços sombra. O controlador decide se deve queimar combustível ou usar a bateria com base no "custo" atual da energia (o multiplicador) em comparação com o custo do combustível.